Renovada, Casa do Hip Hop está prestes a recolocar Diadema no mapa da arte de rua do país

Renovada, Casa do Hip Hop está prestes a recolocar Diadema no mapa da arte de rua do país

Fazia tempo que o número 38 da Rua 24 de Maio, no bairro diademense de Canhema, não despertava tantas emoções. Por anos abandonado, tomado pelo mato alto e entregue à ação de vândalos, a Casa do Hip Hop – primeira dedicada ao gênero da América Latina – parecia uma versão mal acabada do que já foi um dia. Parecia, porque desde a manhã desta quarta-feira (3), o local enfim voltou a receber o tratamento que merece. E a transpirar arte e cultura.  

Em ato simbólico realizado para devolver o equipamento à população, o espaço enfim se reencontrou com a sua própria história. Agora limpo, com as salas reocupadas e prestes entrar em fase de revitalização, a Casa do Hip Hop mostrou que é capaz de sobreviver ao tempo. Mas não só. Sua reabertura deve provar que, junto com ela, sobreviveram também os seus antigos “inquilinos”. 

É o caso de Nelson Triunfo, dançarino de break, ativista social e um dos pioneiros do gênero no Brasil. Presente no ato da manhã  de terça, que contou ainda com a presença do prefeito José de Filippi Júnior e os secretários de Cultura, Deivid Couto, e de Meio Ambiente, Vagner Feitosa, o lendário artista não conteve o entusiasmo em saber que o lugar que te acolheu no passado será também o que lhe dará uma nova perspectiva de futuro. 

“Eu praticamente cresci aqui e vi a Casa do Hip Hop se tornar uma referência não só no país como para muita gente que vinha de fora. Não havia nada parecido por aqui nos anos 1990 e Diadema ainda sofria com o estigma de ser uma cidade violenta e sem opções culturais. Não é exagero dizer que a Casa do Hip Hop colocou a cidade pela primeira vez no mapa”, define. 

E se Nelson foi o grande responsável pelos triunfos do espaço durante eventos memoráveis a partir de 1999 (ano que o lugar recebeu oficialmente o nome de Casa do Hip Hop), agora quem terá a missão de reerguê-lo será seu filho Jean. “Eu vinha aqui com o meu pai quando ainda era criança e doía demais ver isso tudo abandonado. O que essa gestão fez ao retomar a Casa não vai ser bom só para mim ou pro meu pai. Vai ser bom pra toda cidade, principalmente para quem há muito tempo estava sem espaço para se manifestar. À frente da Casa, quero iniciar uma nova história, dialogando com todo o setor da cultura e fomentando o surgimento de novos artistas”.

Na nova safra, está o jovem Andrew, dançarino de break que se viu de mãos e pés atados durante o tempo em que a Casa do Hip Hop relutava para se manter de portas abertas. “Eu queria treinar, mas não tinha um lugar como este em Diadema, com o piso liso e perfeito para praticar o break. Vai ser lindo ver isso aqui funcionando novamente”. 

De volta para o futuro 

Quem viveu os tempos de glória da Casa do Hip Hop no passado, sabe o que significará a sua reabertura – prevista para acontecer, já com todas salas em funcionamento, nos próximos meses. Por lá, já passaram nomes como Rappin Hood, Gilberto Gil e figuras icônicas como Afrika Bambaataa e Jurasic. A nova fase começa já com a proposta de ser, não só a vitrine de novos artistas, como espaço de formação sócio-educativo.  

Com sala de arte, estúdio, sala de leitura, espaço para aulas de dança, palco para apresentações de teatro e shows, o equipamento também deverá reunir oficinas, cursos e muitas outras atividades. “A retomada da Casa de Hip Hop é um compromisso firmado por esta gestão que começa a ganhar forma a partir de hoje. Em breve,a cidade toda nem vai se lembrar de que este lugar passou tanto tempo sendo mau aproveitado”, aponta Deivid Couto. 

Para José de Filippi Júnior, a reabertura será, mais do que tudo, um símbolo de resistência. “Uma casa pode guardar muitas coisas, inclusive o abandono. Mas isso jamais voltará a acontecer por aqui”, conclui. 

Fonte: PMD/Henrique Nunes
Fotos: PMD/Dino Santos