Quem está errado? | Especialista analisa o acidente de trânsito que viralizou em Rio Grande da Serra

Quem está errado? | Especialista analisa o acidente de trânsito que viralizou em Rio Grande da Serra

Mauro Munhoz Martins Fernandes é Especialista em Gestão e Direito do Trânsito pelo CEATT – Centro de Estudos Avançados e Treinamento/Trânsito e analisa o acidente de transito ocorrido ontem em Rio Grande da Serra.

A questão vai muito além de um “simples” acidente de transito… Vamos lá!

O motorista muito pacientemente aguardou por 30 minutos ou mais para que o Condutor (a) do veículo o retirasse do local impróprio para que ele pudesse fazer a curva e adentrar na Rua Lidia Pollone, e carregar/descarregar no pátio da empresa Massa Leve. Sem êxito na espera, ele movimentou seu veículo Carreta, começando a fazer a curva, fazendo com que o seu parachoque perfurasse e empurrasse a lataria e o veículo para a frente.

O veículo em questão ora estacionado em local inapropriado estava cometendo uma infração de transito do Art.181, XIX de natureza GRAVE, 5 pontos na CNH e valor de 195,23, medida administrativa de REMOÇÃO do veículo, o qual não ocorreu. Vale lembrar que não existe “placa” de proibido parar/estacionar nas esquinas; pressupondo que todo mundo sabe que é passível de infração perante ao CTB e mesmo assim, havia placa no referido local.

Rio grande da Serra NÃO possui departamento de transito, e a antiga gestão DELEGOU as atividades essenciais do transito para o Governo do Estado, fazendo com que a Polícia Militar tenha autoridade para lavrar autuações no âmbito municipal, sejam elas, PARADA/ESTACIONAMENTO, CIRCULAÇÃO e CARGA/DESCARGA.

Há tempos transportadoras e motoristas autônomos sofrem para descarregarem seus produtos e encomendas tanto na empresa Massa Leve quanto no supermercado Serrano, muitas vezes tendo que “largar” seu veiculo na rua, para entregar a nota fiscar e aguardar para a entrada de seus veículos.

O município não da a infraestrutura básica para este tipo de transporte, tanto pela falta de empatia com os outros, quanto pela falta de competência ou técnica para a resolução destes problemas.

A atitude mais correta, não eximindo a culpa do motorista da carreta ou o do veículo, era de então aguardar mais, ou estacionar a carreta em local adequado até o acionamento da PM,  na chegada até o local dos fatos, lavrar o auto de infração e promover a remoção do veículo do local, fazendo com que o Estado/município leve a culpa em questão, pois falharam em um dos princípios basilares de todo um departamento de Trânsito que se baseia em EDUCAÇÃO, primeiramente, com a simples presença de um agente de transito inibindo tais condições, mas sim, principalmente pela FISCALIZAÇÃO de tais infrações.