Opinião | Velhas práticas, novos atores e o salva-se um cargo quem puder

Opinião | Velhas práticas, novos atores e o salva-se um cargo quem puder

Em uma era anterior a das redes sociais e das sociedades hiperconectadas, nunca veríamos tamanha moralização dos políticos para disputar uma eleição: paladinos da moral e dos bons costumes durante as campanhas eleitorais, a maioria parece esquecer tudo isso assim que assume o poder. 

Na região do ABC, não é diferente: tem político “lavajatista” e crítico da corrupção que sobe no palanque de um aliado, condenado por crime de caixa dois, mas quer tolerância zero para a corrupção quando vem a público nas redes sociais. Não se vê auto-crítica depois de ter um aliado condenado por corrupção.

Existem aqueles que fazem discursos ferozes e eloquentes contra o apadrinhamento político em suas respectivas cidades, enquanto que, na cidade vizinha, se houver apadrinhados com altos salários, tudo bem, desde que sejam de seu grupo político Até aí, tudo bem! Sabemos o quanto a distância entre o falar e o fazer é grande. Ainda mais na política.

O que se vê no pós eleições de 2020, para os náufragos, isto é, para aqueles que perderam, é um monte de botes salva-vidas. Ou melhor, um monte de botes salva-cargos-comissionados. 

Já imaginou se houvesse salvamento para os milhões de desempregados brasileiros que perderam emprego em 2020? 

Os perdedores, talvez pelos votos conquistados ou sabe-se lá por qual razão, são salvos pelos vencedores em outras cidades com uma naturalidade absurda: nessa hora, não tem partido A ou B. Da esquerda ao mais feroz direitismo há ações como essa. 

A lista é extensa demais, por isso, vamos falar dos prefeitos que foram derrotados e depois foram salvos: Maranhão, salvo por Volpi em Ribeirão. Kiko, salvo por Orlando em São Bernardo. Como se não bastasse o salva-cargo para si, também há um esforço para salvar os aliados.

De ilegal, não há nada, há de ser admitir. 

Mas, em um momento onde se debatem novas práticas políticas, onde se fala muito em nova política, o compadrio e os apadrinhamentos são velhas práticas políticas que remontam à estrutura política da velha república. 

Já diria José de Magalhães Pinto: “A política é como uma nuvem. Você olha, ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. 

Já já tudo muda no ABC de novo. Seja para melhor ou para pior.