Opinião | Por que falar em impeachment em Rio Grande é falar em golpe?

Opinião | Por que falar em impeachment em Rio Grande é falar em golpe?

Aceitar o resultado e a vontade das urnas é uma tarefa basilar no Estado Democrático de Direito vigente em nosso Brasil. Os derrotados, deveriam, de certo, aceitar o resultado das urnas e se prepararem para a eleição seguinte. De certo, em Rio Grande da Serra, o que se vê é um cenário, no mínimo, esquisito, pois a aventura política não parte de quem deveria partir.

O segundo colocado nas eleições municipais, o ex-vereador Akira Auriani (PSB), aceitou e muito bem o resultado das urnas e seguiu em frente como um bom democrata. No caso da terceira colocada, Marilza Oliveira (PSD), o mesmo parece ter ocorrido. Então, se os principais atores políticos seguiram em frente, quem é que não se conforma de não ter vencido as eleições?

Muito se fala, no momento, nos bastidores e no noticiário regional, de um racha entre Cafú, figura do passado político Rio-grandense e que a cidade já rejeitou nas urnas duas vezes e também se fala em uma revolta da desconhecida atual vice-prefeita, Penha Fumagalli (PTB), e no caso dela, segundo matéria do Diário do Grande ABC, é por não participar das decisões do alto escalão governista do prefeito eleito Claudinho da Geladeira (Podemos). Se essa é a revolta de Penha, ela só demonstra que conhece pouco a engrenagem política brasileira, onde o vice é um cargo meramente decorativo e que só vem a poder tomar decisões na ausência do prefeito, que não é o caso de Rio Grande da Serra.

Além disso, é preciso destacar também que alguns setores políticos da cidade que saíram derrotados nas eleições de 2020, parecem nutrir um sentimento de perda das regalias do poder executivo e querem pegar carona nessa narrativa golpista que escancara, no limite, a não aceitação da derrota e também o sentimento de que são donos da cidade. É o caso de quem nunca chegou ao Executivo e também de quem esteve lá nas últimas gestões.

O que é preciso dizer é que essas pessoas perderam o trem da história: foi-se o tempo que uma cidade tinha um dono e foi-se o tempo que a população aceitava ordens de coronéis. Se de fato os bastidores estiverem certos e a vice-prefeita, que Rio Grande já mais conheceria sem Claudinho da Geladeira, deseja chegar ao poder, precisa disputar uma eleição e sair vitoriosa. Do contrário, não será jamais reconhecida pela população como uma liderança.

Impeachment em Rio Grande da Serra é golpe, sim!