A fatura mais cara da História de Ribeirão Pires | por Felipe Magalhães

A fatura mais cara da História de Ribeirão Pires | por Felipe Magalhães

Coluna do Felipe Magalhães
Coluna do Felipe Magalhães


Estamos diante da maior crise sanitária e econômica da História do Brasil. Realizamos um feito inédito: na conjuntura mais complexa da nossa história, nas circunstâncias mais delicadas, que exigiriam um estadista, um líder comprometido com um projeto de país, encontramos em Brasília um inepto. Um político tradicional que sempre fez de sua carreira política sua estratégia de acumulação de riquezas e de sua família. Questiona-se a sanidade mental de Jair Bolsonaro. Não há precedentes para tamanha irresponsabilidade e nossa querida Estância turística de Ribeirão Pires está pagando um preço muito alto.

Muita gente acreditou na retórica pedestre do atual Presidente da República. A despeito de todas as atrocidades ditas e feitas durante os 28 anos em que esteve na Câmara Federal, políticos escolados da região do Grande ABC patrocinaram essa maluquice. Bolsonaro não surpreendeu ninguém. Todos sabiam da apologia à tortura, da intolerância, do envolvimento com as milícias. Pagaram para ver e a fatura chegou. O prefeito de Ribeirão Pires foi um deles. Em artigo publicado em 2018, Volpi fez a seguinte declaração: “Ele (Bolsonaro) tem cinco mandatos como deputado federal, não é um ignorante. Essas polêmicas não representam quem seja ele de fato. Tem projetos para Saúde, Educação e Cultura. Está estigmatizado pelos seus exageros e evidentemente que essa postura (de extrema direita) é dele, porque leva o princípio da rigidez. Ele tem o melhor discurso dentre os candidatos colocados atualmente”. Você pode se perguntar: mas o próprio Volpi já previa o risco Bolsonaro? De fato, mas não titubeou em apoiá-lo. Não foi o único, mas como prefeito em exercício que sente na pele a ausência do Governo Federal é importante que esse passivo político seja devidamente creditado. Processos eleitorais são escolhas e nossas escolhas tem um custo. Nosso prefeito já governou a cidade em outro momento. De 2005 a 2012, Volpi foi contemporâneo dos Governos Lula e Dilma e viu os repasses constitucionais serem ampliados, construiu uma UPA com recursos para obra e custeio do Governo Federal enquanto o tão sonhado Hospital Santa Luzia financiado pelo Governo tucano do estado de São Paulo permanecia em obras. Se hoje temos equipamentos de saúde como UBS e UPA capazes de dar suporte para as medidas implementadas em meio ao caos que a cidade se encontra é graças às gestões petistas no Palácio do Planalto. 

O Governo Federal negou a gravidade da pandemia, patrocinou aglomerações Brasil afora, fez campanha contra a vacina, criou um falso dilema entre vidas e economia, não disponibilizou crédito nos bancos públicos para o suporte financeiro durante a crise, não queria pagar o auxílio emergencial e negou com veemência as recomendações científicas para o combate à crise sanitária. Durante o processo eleitoral essa conjuntura negacionista foi providencial para o grupo político vitorioso. Aglomerações, reuniões com pessoas sem máscara e a realização de atos que desrespeitavam as recomendações sanitárias da OMS foram reiteradas pelo Prefeito durante a pré campanha. A crise não foi levada a sério.

Com o início do ano de 2021, passado o entusiasmo da vitória eleitoral, a cidade tinha a impressão que não havia pandemia. Não foi apresentado um plano de contingência (assim como não foi apresentado nada durante a campanha), as medidas de distanciamento foram relaxadas e as academias se tornaram serviço “essencial”. O Brasil assistia atônito a falta de vacinas e nossa cidade nunca teve um plano. Com o aumento da circulação do vírus e a variante brasileira soltas pela região metropolitana, nossa cidade que já não dispunha de equipamentos e recursos experimentou o colapso do sistema de saúde. Sem apoio Federal e Estadual, restou ao Prefeito a medida administrativa de calamidade pública. Medida acertada, porém tardia.

A falta de articulação dos prefeitos do Grande ABC é notável e a crise reside também nessa falta de planejamento. A luta no passado muito recente não era pela vida, mas abertura de mais atividades econômicas. A Sociedade civil organizada de Ribeirão Pires buscou o Poder Executivo para cobrar mais fiscalização e mediadas maIs efetivas no combate à pandemia. Foi solenemente ignorada pelo Prefeito. Não apenas ignorada, mas desrespeitada em sua iniciativa republicana de buscar o Gestor Público com suas preocupações. Segundo o prefeito as entidades que assinavam a carta que buscava o diálogo não teriam vínculo com a cidade e por isso não seriam recebidas. Assinavam a carta quatro sindicatos, dois coletivos temáticos, três deputados estaduais, um Deputado Federal e uma vereadora da cidade. O momento é delicado e somente a União de forças fará com que nossa cidade supere este momento tão delicado. 

Precisamos que a imunização seja acelerada, precisamos cobrar o Governo Federal pela aquisição de vacinas, precisamos cobrar os governos federal e estadual que sejam oferecidas alternativas para os empresários. Precisamos conter a circulação de pessoas. Enquanto não houver uma porcentagem expressiva da população vacinada veremos as variantes do vírus surgirem e um número cada vez maior de pessoas contaminadas. Não há outra saída que não seja a imunização da população e o único culpado por essa verdadeira calamidade que nos encontramos chama-se Jair Bolsonaro.

Devemos mais do que nunca unir esforços para garantir o repasse para o custeio do Hospital de Campanha, pressionar para que nossos deputados e senadores tomem atitude frente ao caos na saúde pública de Ribeirão Pires. Precisamos superar juntos esse cenário caótico, sem abdicar de atribuir as devidas responsabilidade. Espero que o secretário de Saúde de Ribeirão Pires, grande entusiasta do Bolsonarismo tenho hoje a real dimensão dessa necropolítica negacionista para nossa população.